EM BUSCA DE MACHU PICCHU - 04/02/2006

5 amigos através da cordilheira dos Andes, por 11.700 km

 

Um projeto que se iniciou há mais de 20 anos atrás, quando Jorge Cancella e dois amigos se aventuraram em 10.600 km até a rodovia Transamazônica, à bordo de Honda XL 250, lá pelos idos de 1986.

O tempo foi passando, Jorge participa ainda de mais três grandes moto-aventuras: em 1987, num longo trajeto pelo interior do sertão nordestino até o Ceará e retorno pelo litoral, num percurso de 10.840 km.

Depois foi a vez do grande desafio, participar do maior rally da América Latina, o 3º Rally dos Sertões, em 1995, época em que o melhor piloto de rally do País, Jean Azevedo, venceu pela 1ª vez.

Jorge Cancella, competindo com uma moto nacional, com poucas modificações, foi vice-campeão na categoria Marathon; (até os dias de hoje o melhor resultado de um piloto paranaense em todas as edições deste rally).

Dez anos se passaram, até que em 2005, à convite de um amigo, Eduardo Mattos, se aventuraram “de moto pelo Atacama”, em 8.500 km de aventuras e desventuras (sua moto teve problemas e teve que voltar mais de 4.000 km de caminhão), pelo deserto de Atacama.

Finalmente acompanhado de mais quatro amigos (todos ex-colegas de trabalho) se aventuraram em 11.700 km, 29 dias de viagem, rodando por quatro paises, “em busca de Machu Picchu”, no Peru.

A viagem começou muito antes da largada, em 04 de fevereiro de 2006; pois as reuniões para planejamento se iniciaram em junho de 2005, quando Jorge e o amigo Paulo Forigo, assistiam juntos o DVD “de moto pelo Atacama”, da viagem de 2005.

Dali em diante foram convidados: Ismael dos Santos (parceiro da viagem pela transamazônica) e um dos pioneiros das trilhas do litoral; depois foi a vez de Amauri Mondini, com pouca experiência em longas viagens, mas muito a fim de participar da aventura; e quando faltavam menos de dois meses para a viagem; o Pedro Kirchoff, parceiro de trilhas e também pioneiro das competições de Trial no litoral, resolve ir também.

Formada a equipe, o planejamento que a principio era seguir pelo interior do Brasil e entrar pela Bolívia, lá pelo Acre, foi logo descartado, porque o caminho nesta época do ano é muito sujeito à chuvas e o trecho de quase 700 kms de estrada de terra, normalmente fica intransponível; foi cogitado também cruzar a fronteira com a Bolívia pelo Mato Grosso, mas a situação era parecida; então finalmente ficou decidido que iriam pelo norte da Argentina, cruzando o deserto de Atacama (de novo??).

E assim foi; saíram de Paranaguá às 09:30 hs. da manhã, de um sábado, dia 04 de fevereiro de 2006, com uma temperatura de 31 graus. À tarde por volta de 15 horas quando estavam próximo de Palmas, enfrentaram um temporal e a temperatura caiu para 14 graus; chegando em Francisco Beltrão por volta de 19 horas.

No dia seguinte a equipe acordou cedo, mas ainda sem muita prática em arrumar as bagagens nas motos saíram às 08:40 hs.

Depois de cruzarem a fronteira com a Argentina a viagem começou a render bastante, já que o trecho era de muitas retas e pouca “fiscalização”. Almoçaram em Eldorado, num restaurante-cassino, que Jorge já conhecia; comida muito boa e “precio muy Bueno”, em pesos argentinos.

Um dos momentos mais difíceis da viagem foi na subida do deserto de Atacama entre Susques e San Pedro de Atacama, ali com altitudes variando entre 4.000 e 4.500 mts., as coisas ficaram meio complicadas quando dois dos aventureiros passaram mal, com náuseas, tonturas, mal estar e finalmente vômito; isto provocou um atraso de mais de três horas e muita incerteza, até porque num trecho de 289 kms., nada se vê, além do deserto de areia e sal; e com o cair da tarde iniciou um vento lateral cortante e a temperatura despencou para apenas 2 graus, além da sensação de frio com o vento terrível, causando congelamento das mãos, etc.

A chegada em Machu Picchu, no 13º dia de viagem, na quinta-feira, 16 de fevereiro foi o momento máximo da viagem.

O retorno teve mais um momento de sufoco quando uma das motos pegou um buraco muito grande que acabou provocando um grande corte no pneu traseiro, com graves conseqüências no aro e arrebentando cinco raios, felizmente estávamos próximos de Juliaca, uma cidade com razoáveis recursos e também porque um dos colegas entendia de solda em alumínio, etc.

Próximo de Pozo Almonte, já no Chile, um dos colegas teve infecção intestinal, de novo, nosso “santo forte” conseguiu alguns medicamentos e dois dias depois já estávamos todos na estrada de volta.

Para Jorge Cancella, que em 2005, numa viagem anterior ao Atacama teve muitos problemas mecânicos, com carburação de sua moto, etc., e a viagem acabou logo depois da mão do deserto, próximo de Antofagasta; quando teve que regressar com a moto em cima de caminhões (três no total) por mais de 4 mil quilômetros. Este momento de chegar de novo na “mão do deserto” foi algo incomum e só ele é quem entendeu e sentiu mais do que nunca que: mesmo na adversidade o importante é nunca desistir.

Dali em diante o trajeto foi marcado por encontros inusitados, como a duas “senhoras” (cincoentonas, eu acho!) inglesas que estavam viajando à cerca de dois meses, já tinham percorrido mais de dez mil kms, até Ushuaia, na Patagônia, e ainda iriam até a Venezuela.

Depois de cruzarem os Caracoles na divisa com a Argentina, pegaram muita chuva à partir de Córdoba e assim foi até o Brasil, quando chegaram no sábado, 4 de março de 2006.

Muito comentada a viagem acabou virando um filme em DVD que no final acabou indo para as prateleiras das locadoras da cidade e ainda vendido nalgumas lojas de peças de moto; e o mais importante é que parte da renda arrecadada com esta ação reverteu e continua revertendo em benefício das campanhas sociais do Moto Clube Paranaguá, que no natal de 2007 estava na sua 23ª edição, levando brinquedos para milhares de crianças das trilhas e ilhas do litoral paranaense.

 

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